Fraturas da coluna

Por trauma ou por fragilidade óssea

Fraturas da coluna vão de lesões estáveis, que se resolvem sem cirurgia, a situações graves com risco neurológico. A avaliação precoce define o caminho.

Tomografia mostrando fratura vertebral

Dois cenários bem diferentes

Na prática, as fraturas vertebrais se dividem em dois grupos que quase nada têm em comum além do nome.

Fraturas por trauma

Resultam de energia elevada: acidentes automobilísticos, quedas de altura, acidentes esportivos. Podem acometer pessoas jovens com osso saudável e trazem risco de lesão neurológica, dependendo do padrão da fratura.

Fraturas por fragilidade

Acontecem em ossos enfraquecidos pela osteoporose, com traumas mínimos ou até sem trauma identificável. Um espirro, um movimento para levantar da cadeira ou carregar uma sacola podem bastar. São muito mais frequentes e frequentemente subdiagnosticadas.

Dado que merece atenção

Uma fratura vertebral por osteoporose é sinal de alerta: quem teve uma tem risco aumentado de ter outras. Tratar apenas a fratura e não tratar a osteoporose deixa o problema principal sem solução.

Sintomas

  • Dor nas costas de início súbito, bem localizada, que piora ao mudar de posição
  • Dor que melhora deitado e piora ao sentar ou ficar em pé
  • Dificuldade para levantar da cama ou da cadeira
  • Nas fraturas osteoporóticas de repetição: perda de altura e postura progressivamente mais curvada

Procure atendimento de urgência se houver

  • Perda de força ou dormência nas pernas ou nos braços
  • Dificuldade para urinar ou evacuar
  • Dor intensa após acidente ou queda de altura
  • Dor nas costas acompanhada de febre

Após trauma significativo, a pessoa não deve ser mobilizada sem cuidado. Se houver suspeita de fratura na coluna, o transporte precisa ser feito por equipe capacitada.

Está com esses sintomas? Uma avaliação especializada define o diagnóstico e o melhor caminho para o seu caso.

Diagnóstico

A radiografia é o exame inicial e já identifica boa parte das fraturas por compressão. A tomografia detalha a anatomia óssea e é fundamental para classificar a lesão e definir se é estável.

A ressonância magnética responde a duas perguntas que a tomografia não responde: se a fratura é recente ou antiga, e se há compressão de estruturas nervosas. Em pacientes com múltiplas fraturas antigas, é ela que identifica qual está causando a dor atual.

Em fraturas por fragilidade, a investigação não termina na coluna. Solicito densitometria óssea e exames laboratoriais para avaliar a osteoporose e suas causas, porque tratar o osso é o que previne a próxima fratura.

Tratamento

Tratamento conservador

A maior parte das fraturas estáveis, sem comprometimento neurológico, é tratada sem cirurgia. Envolve controle adequado da dor, uso de órtese em casos selecionados, mobilização progressiva e acompanhamento com exames seriados para confirmar que a fratura não está evoluindo.

Repouso prolongado deve ser evitado, sobretudo em idosos, pelo risco de perda de massa muscular, trombose e complicações respiratórias.

Procedimentos percutâneos

Em fraturas por osteoporose com dor intensa e persistente apesar do tratamento clínico, existem procedimentos minimamente invasivos que estabilizam o corpo vertebral com cimento ósseo, por meio de uma pequena punção. Costumam trazer alívio rápido da dor em casos bem selecionados.

Cirurgia

Indicada em fraturas instáveis, com deformidade significativa, ou quando há compressão de estruturas nervosas. O objetivo é descomprimir os nervos, quando necessário, e estabilizar a coluna para permitir a consolidação e a mobilização precoce.

Nesses casos a navegação por imagem é particularmente útil, pois a fratura altera as referências anatômicas habituais e a precisão do implante é crítica. Em muitas situações, a fixação pode ser feita por técnicas percutâneas, com incisões pequenas.

Prevenção, sobretudo após os 60

Quando a fratura vem da fragilidade óssea, tratar apenas o osso quebrado é resolver metade do problema. A prevenção da próxima fratura passa por:

  • Diagnóstico e tratamento da osteoporose, com medicação quando indicada
  • Níveis adequados de cálcio e vitamina D
  • Exercício com carga e treino de equilíbrio, que reduz o risco de quedas
  • Revisão de medicamentos que causam tontura ou sonolência
  • Ajustes na casa: iluminação, tapetes soltos, barras de apoio no banheiro

Dúvidas frequentes

Fratura na coluna sempre precisa de cirurgia?

Não. A maior parte das fraturas estáveis, sem comprometimento dos nervos, é tratada sem cirurgia, com controle da dor, órtese em casos selecionados e mobilização progressiva.

Quanto tempo leva para consolidar?

De modo geral, algumas semanas a poucos meses, variando conforme o tipo de fratura, a idade e a qualidade óssea. O acompanhamento com exames confirma a evolução.

Fratura por osteoporose pode acontecer sem queda?

Pode. Em ossos muito fragilizados, movimentos comuns do dia a dia são suficientes. Por isso a dor súbita nas costas em pessoa idosa merece investigação, mesmo sem trauma.

Preciso usar colete?

Depende do tipo de fratura. Em algumas situações ele ajuda no controle da dor e na proteção durante a consolidação; em outras, não traz benefício. A indicação é individual.

Posso voltar a fazer exercício depois?

Sim, e é importante, com progressão orientada. Exercício com carga fortalece o osso e o treino de equilíbrio reduz o risco de novas quedas.

Já receberam indicação de cirurgia? Ouvir uma segunda opinião antes de decidir costuma trazer tranquilidade.

Dr. Daniel Duarte Perini

Dr. Daniel Duarte Perini

Ortopedia e Cirurgia da Coluna · CRM/SP 226973 · RQE 137309 · TEOT/SBOT 20400

Médico formado pela Faculdade de Medicina da USP, com residência em Ortopedia e Traumatologia e fellowship em Cirurgia da Coluna Vertebral no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP. Atende em São Paulo, com consultas presenciais, por telemedicina e, quando necessário, em domicílio.

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